Cresce o uso de aplicativos para chamar táxi no
país (Foto: Montagem/Divulgação)
Aplicativos para os consumidores chamarem táxi pelo smartphone são cada
vez mais utilizados em todo o país, o que faz com que as criadoras das
ferramentas registrem crescimentos de até 100% ao mês. Com o aumento da
demanda, elas começam a entrar no mercado corporativo - algumas já
oferecem e outras desenvolvem soluções para empresas.
Contudo, enquanto o recurso tecnológico avança no mercado, ele preocupa
cooperativas de táxis. As entidades se sentem ameaçadas e pedem
regulamentação dos aplicativos nos municípios. Algumas prefeituras já
estão tomando medidas e discutindo a melhor forma de lidar com o uso da
ferramenta.
Taxistas deixam de atender chamadas vindas da cooperativa, caso chegue alguma primeiro pelo aplicativo.
"Eu fico ligado em todos os aplicativos. Se a cooperativa não chama,
tem algum aplicativo que está me chamando e eu atendo. Se a corrida vem
para mim, eu vou atender quem me chamou e coloco ocupado nos demais",
explica o taxista Carlos Henrique, de 47 anos.
Ele disse que é taxista há 5 anos em São Paulo e que sempre trabalhou
em cooperativa. Contou que usa três aplicativos há aproximadamente 4
meses e seu faturamento aumentou em até 25%. "O pessoal que é
credenciado usa a Ligue Táxi [a cooperativa] e o aplicativo. A ideia é a
praticidade para todo mundo."
Taxista Carlos Henrique disse que faturamento
subiu em até 25% (Foto: Gabriela Gasparin/G1)
Para Carlos Henrique, a novidade é uma tendência. "Com o tempo, não vai
ter mais ninguém dando sinal na rua, isso é fato”, disse. O taxista
afirmou que até mesmo sua cooperativa começará a trabalhar com o sistema
de aplicativo na próxima semana.
Busca feita pelo Google a pedido do
G1 aponta a
existência de ao menos dez aplicativos para chamar táxi no país (alguns
não operam em todas as cidades, mas apenas em regiões específicas) – mas
a lista não é fechada.
De acordo com o Google, dois deles (Easy Taxi e 99Taxis) já estiveram
na lista dos mais populares da loja online Google Play, que oferece
aplicativos para o sistema Android, usado pela maioria dos celulares.
Uma pesquisa rápida na loja da Apple, que tem aplicativos para iPhone,
também mostra mais de dez resultados.
Usuário destaca rapidez
Um dos grandes atrativos é que os táxis chegam com rapidez. Dependendo
da região, pode ser em menos de 5 ou 10 minutos, por conta da
localização via GPS, dizem as empresas – os aplicativos localizam o
taxista que está mais perto do passageiros.
Márcio Sá disse que passou a pedir táxi por
aplicativo porque o atendimento é mais rápido
(Foto: Gabriela Gasparin/G1)
Usuário frequente de táxi, o administrador Márcio Sá, de 48 anos,
passou a usar o sistema há 6 meses. "Você não precisa sair na rua
caçando táxi. O serviço das cooperativas é muito lento, tem poucos
carros. Pelo aplicativo é muito mais rápido e não tem custo adicional
nenhum."
O autônomo Clóvis Miranda, de 62 anos, diz que passou a ter 40% a mais
de viagens desde que passou a adotar os apps, há 2 meses.
Ele trabalha com dois aplicativos, mas seu filho, que usa o táxi com
maior frequência, já baixou cerca de quatro. “É melhor. Às vezes a gente
sai do ponto para levar o passageiro e na volta o aplicativo já avisa
sobre alguém no meio do caminho”, diz. Mesmo com a cobrança de um deles,
de R$ 2 por corrida, ele disse que vale a pena financeiramente. “Só
quando o passageiro está muito longe às vezes pode não compensar”, diz.
O que dizem as cooperativas
Taxistas de cooperativas também usam o aplicado entre uma corrida e
outra, de acordo com Edmilson Americano, presidente da Associação
Brasileira das Cooperativas e Associações de Táxis (Abracomtaxi) e da
Guarucoop, cooperativa de taxistas que atendem no aeroporto de
Guarulhos.
As cooperativas, contudo, ainda não perceberam saída dos cooperados
para atender apenas pelos aplicativos, explicou. Americano disse ainda
que muitas delas já desenvolveram seus próprios aplicativos.
“Nossa orientação é que cada associação regional pressione as
prefeituras locais por uma regulamentação. Queremos a concorrência leal e
que seja respeitada a legislação”, afirmou
Entre as reivindicações das cooperativas está uma fiscalização maior do
cadastro dos taxistas nos aplicativos (por questão de segurança) e do
município onde estão atuando (eles devem pegar passageiros saindo da
cidade onde têm alvará).
“Na realidade, qualquer facilitador para o usuário nós vamos ver sempre
com bons olhos. Mas há omissão muito grande de poderes públicos de não
regulamentar de forma a criar regras para todos, como tem regras para as
cooperativas e associações de taxi”, disse. Entre as regras citadas
estão o recolhimento de impostos pelas cooperativas, que encarecem os
custos dos cooperados.
Estão sob análise os impactos que esses aplicativos produzem em toda a
cadeia de táxis, para verificar a necessidade ou não de eventual
regulamentação legal"
Secretaria de Transportes de São Paulo
Atuação das prefeituras
Algumas prefeituras já começam a buscar atender à reivindicação das
cooperativas. Em São Paulo, a Secretaria de Transportes disse que o uso
dos aplicativos sendo analisado pelo Departamento de Transportes
Públicos (DTP).
“Estão sob análise os impactos que esses aplicativos produzem em toda a
cadeia de táxis que circula pela cidade, como empresas de táxi e
rádio-taxi, para verificar a necessidade ou não de eventual
regulamentação legal da questão. Algumas empresas que criaram e
disponibilizam esses aplicativos já procuraram o DTP no sentido de
registrarem seus aplicativos”, disse.
Para Natalício Bezerra, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos
de São Paulo, a solução é positiva. “Ninguém pode segurar a tecnologia”,
afirmou.
Em Curitiba, as recentes notificações a taxistas que utilizam
aplicativos de celular chamaram a atenção para uma controvérsia entre
Poder Público e as empresas que atuam na área. Enquanto a lei municipal
exige um cadastro específico para liberar as operações, as empresas
alegam que a legislação vigente não atende às especificidades deste tipo
de serviço.
Desenvolvedoras crescem
Lançado em abril de 2012 no Brasil, o aplicativo Easy Taxi hoje tem 5
milhões de usuários e 100 mil taxistas cadastrados em 23 países (80
cidades, sendo 32 delas no Brasil). “A Easy Taxi é uma empresa que, de
setembro de 2012 para cá, cresceu mais de 100% ao mês. A gente dobra de
tamanho todo mês, é crescimento absurdo”, disse Tallis Gomes, presidente
da empresa.
O 99Taxis entrou em funcionamento em agosto de 2012 e atualmente está
presente em 60 cidades brasileiras. O número de corridas passou de 300
por dia em janeiro de 2013 para 26 mil ao dia em dezembro, afirmou Pedro
Soma, gerente de operações da 99Taxis. Segundo ele, há 30 mil taxistas e
quase 1 milhão de passageiros cadastrados.
O Taxijá foi lançado em julho de 2012 e atualmente tem quase 13 mil
taxistas cadastrados em quatro cidades brasileiras (São, Rio de Janeiro,
Curitiba e Salvador), com 210 downloads do aplicativo pelos
consumidores, informou o presidente, Arthur Pelanda. "Estamos crescendo
43% ao mês em demanda de usuários", disse. "Temos um plano bem
agressivo, até a Copa, de estar nas cidades-sede", revela.
Há apps que cobram de taxistas
As empresas criadoras dos aplicativos, contudo, ainda buscam formas de
aumentar os ganhos. A principal estratégia é primeiro estabelecer o
mercado e criar o costume entre os usuários, para depois começar a
lucrar.
A 99Taxis, por exemplo, ainda não tem receita. "Somos totalmente de
graça tanto para os usuários quanto para os taxistas", disse o gerente
Soma. Uma das formas pela qual eles esperam começar a lucrar é por meio
de um sistema de pagamento dentro do aplicativo, além do serviço
corporativo, que a empresa está desenvolvendo. “Nós vamos disponibilizar
boleto eletrônico", explicou.
A Easy Taxy cobra R$ 2 reais por corrida aos taxistas e também tem
receita por meio dos pagamentos eletrônicos. "A gente tem receita nos
lugares em que o serviço já está estabelecido, além de outras formas de
receita com publicidade e acordos comerciais", afirmou Tallis Gomes.
Uma das justificativas para cobrar a corrida dos taxistas é que, nas
cooperativas, eles pagam de R$ 800 a mais de R$ 1 mil por mês. “O
taxista hoje paga para a cooperativa R$ 1,5 mil por mês, para ele pagar
isso para a gente tem que fazer 700 corridas, né?”, questiona Gomes.
A Taxijá desenvolveu o sistema para as empresas. Cada funcionário tem
uma senha para fazer corridas, que são pagas por boleto. O serviço só
está disponível em São Paulo e já conta com mais de 50 empresas
cadastradas. A meta é alcançar 150 até o final do ano.
Mário Luiz (Carioca) com G1