quinta-feira, 14 de abril de 2011

Iraque descobre vala comum com mais de 800 corpos

Ministério dos Direitos Humanos acredita que restos mortais sejam de opositores de Saddam


Ali al-Mashhdani/Reuters
Homens realizam o trabalho de escavação na vala encontrada com cerca de 800 corpos no Iraque

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Uma vala comum contendo os restos de mais de 800 corpos foi descoberta no oeste do Iraque nesta quinta-feira (14), de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos daquele país. Acredita-se que muitos dos corpos sejam de adversários do ex-líder iraquiano Saddam Hussein, deposto em 2003 pelas forças dos Estados Unidos.

A cova comum, encontrada no deserto da Província de Anbar, no coração da região sunita do Iraque, contém restos mortais de curdos, xiitas, mulheres e crianças. Para o porta-voz do Ministério dos Direitos Humanos, Kamil Ameen, a cova é uma das maiores valas comuns encontradas nos últimos anos.

- A cova contém restos de pessoas de seitas diferentes. Os relatos iniciais indicam que elas teriam sido adversárias políticas. O número de corpos contabilizados até agora é 822, mas pode aumentar. Nossos técnicos prevêem que chegue a 900.

Valas comuns contendo grande número de corpos têm sido encontradas regularmente no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA.

Acredita-se que, em muitos casos, as vítimas sejam curdos, contra os quais Saddam travou campanhas militares nas décadas de 1980 e 1990, e xiitas, que promoveram um levante em 1991.

Investigação pode levar responsáveis por mortes a julgamento

Segundo Ameen, a vala comum encontrada pode ser dos anos 1980, já que foram encontrados ao lado das vítimas um jornal governamental publicado em 1988 e remédios com data de vencimento em 1984.

Outros objetos encontrados na cova incluem páginas com orações e imagens do imã Ali, venerado pelos xiitas, além de roupas, pratos, xícaras e colheres.

Ameen disse que alguns dos corpos estavam em uniformes militares, alguns em roupas tradicionais curdas e outros em vestimentas civis.

- Esta questão é semelhante à escavação de sítios arqueológicos. Precisamos tomar cuidado com os restos mortais e os objetos, porque isso pode ajudar a identificar os corpos. Ao mesmo tempo, podemos encontrar provas que ajudem a levar os responsáveis a julgamento.



Muitos dos corpos mostravam sinais de terem recebido tiros na cabeça, e alguns dos crânios tinham sido esmagados.

Investigadores de direitos humanos iraquianos e americanos disseram, em 2003, desconfiar da existência no Iraque de até 260 valas comuns que conteriam os corpos de até 300 mil pessoas mortas durante o governo de Saddam.

Em 2003, por exemplo, foi encontrada uma cova comum contendo mais de 3.000 corpos perto da comunidade agrícola de Mahaweel, a 60 km ao sul da capital Bagdá.

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