quarta-feira, 25 de março de 2015

O Paraíso, Mamãe e o Capitão do Mato



Em uma Vila bem pequena chamada Paraíso, morava uma senhora muito bonita e carismática, que depois de muita luta conseguiu o privilégio de por um tempo, cuidar dos destinos do povo de lá. Todos os moradores de Paraíso depositavam naquela mulher muita confiança e sonhos de uma vida melhor. Ela era tão amada por lá, que a chamaram de Mamãe.

O tempo foi passando, os sonhos não se realizando, Paraíso foi ficando cada dia mais infernal, violenta, suja e cheia dos mais variados problemas. O poder de “Mamãe” passou a ser questionado, suas atitudes, que já não eram como as de antes de ser a “toda poderosa” da Vila, foram ficando cada dia mais desacreditadas. Muitos dos seus fiéis escudeiros, ressentidos, magoados e tomados de ira, deixaram-na de lado e buscaram outros rumos.

Foi aí que surgiu a brilhante ideia de trazer de longe uma pessoa especial, alguém que fosse habilidosa, boa de conversa, cheia das prosas, enfim, alguém que ajudasse a melhorar a forma como as pessoas viam “Mamãe”.  Então um amigo que sempre esteve presente entrou na história e disse:  - Olhe, eu tenho um “menino” de meu agrado, um rapaz talentoso, muito cheio dos “paranauê”, muito desenrolado, influente. É um verdadeiro “menino rico”. Ele virá para cá e será seu grande defensor. Aposto que em pouco tempo, toda Vila de Paraíso voltará a lhe amar.

Mamãe acreditou e então o “menino” foi chamado. Logo no começo pareceu que seria fantástica sua atuação. Cheio das promessas, das conversas bonitas, das prosas enfeitadas, se dizendo muito poderoso, cheio “disso e daquilo outro”. O menino foi ganhando a confiança de alguns. Parecia que finalmente as coisas iriam mudar para Mamãe.

Mas tudo isso durou muito pouco. Em alguns dias o menino ficou agressivo, enchendo os ouvidos das pessoas com ameaças e palavrões, todo metido a “arrochado”. Um verdadeiro Capitão do Mato. Isso mesmo, o “menino” parecia um daqueles capitães do mato das antigas novelas da Globo. Dar ordens e ameaçar era com ele mesmo.

Até com os “milico” de Paraíso ele arranjou confusão. Mais que isso, atrapalhou quem queria ajudar o povo e ainda deixou claro que com ele, a coisa se resolve ou se resolve.  
Pense num menino “arrochado”. Mas será que era mesmo? O povo fala que quando ficou sabendo que um certo “Coronel” da região queria lhe dar uns corretivos, o menino “arrochado” afrouxou-se todinho e foi correndo “pedir arrego” ao filho do “Coronel”. Não sabemos se isso de fato aconteceu. Mas há um ditado antigo que diz assim: “Quando se fala muito de uma determinada conversa, ou foi, ou é, ou tá pra ser

No final das contas, o “menino” bonzinho que chegou à Vila para ajudar a Mamãe, só conseguiu atrapalhar.  Até com outras pessoas que tentavam ajudar “Mamãe” o menino conseguiu confusão.
O que aprendemos da lição do “menino”?

A ter cuidado, pois muitos capitães do mato com cara de anjinho podem estar soltos, prontos a acatar.

Ficamos com uma pergunta aqui no pé da orelha: Será que Mamãe vai continuar segurar e sustentar o Menino Capitão do Mato?

Um abraço..

*PS: Esta é uma crônica acerca de uma vila no mundo imaginário de Caco Pereira. Todavia, é impossível que algumas pessoas leiam e não se reportem a tantas "Vilas Paraíso" espalhadas pelos rincões dos brasis. Certamente em vários lugares encontraremos muitos "Papais, Mamães, Coronéis, Capitães do Mato e muito mais figuras presentes na realidade da politicagem brasileira".

Mário Luiz (Carioca) com Caco Pereira 

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